Na noite de 18/11, foi exibido mais um episódio do jornalístico Profissão Repórter, onde foi abordada a realidade das pessoas trans. Diversos casos foram retratados no Brasil e no exterior, destacando todas as dificuldades que estas pessoas enfrentam como a aceitação da família, a autoestima, o modo de vida, os tratamentos para a mudança de sexo, além da questão do atendimento recebido pelo estado e pelos profissionais de saúde.

 

A identidade de gênero vem sendo desmistificada com o avanço do trabalho científico em torno do tema. Os casos de crianças trans despertou a abertura do debate em torno da identidade de gênero como uma característica humana, e o tratamento com a mudança de sexo vem trazer às pessoas trans o respeito da sociedade à sua natureza e sua dignidade.

 

Ao mesmo tempo, veiculou-se na internet também em 18/11 um estudo científico, buscando relacionar a homossexualidade com a genética, por meio de estudos de irmãos gêmeos idênticos, que em sua maioria, apresentam a mesma orientação sexual. Os estudos são preliminares e os resultados ainda considerados pela comunidade científica inconclusivos, porém evoluem para uma constatação, que coloca por terra diversas teorias indicando que a sexualidade humana tem origem comportamental.

 

Abre-se a discussão de que a orientação sexual e a identidade de gênero são características humanas natas na maioria dos casos. Isto também pode abrir questionamentos quanto a eficácia de métodos de "correção da orientação sexual", costumeiramente propostos por grupos religiosos e conservadores.

 

 

A natureza humana deve ser preservada, com o entendimento de que todas as pessoas devem ser tradadas como de fato são.

Ouça este podcast.


Carro de som acompanhou o ato.

Estive presente em um ato, no último domingo que foi a revolta da lâmpada. Há cerca de quatro anos atrás, jovens foram agredidos com lâmpadas por motivação homofóbica. O local do ataque, a Av. Paulista, 777, tornou-se o marco-zero das manifestações que se seguiram, organizados por uma comunidade LGBT paulistana atuante e engajada. Muita coisa, aconteceu de lá para cá, e ainda muitas das reivindicações da comunidade não foram atendidas. Porém o ato que se viu na Av. Paulista, segundo pela Rua Augusta e encerrando no centro da cidade mostra que este caminho, o da manifestação pacífica, com identidade e forte no discurso alinhado à causa, é o correto para levar a todos e todas LGBT's o respeito, liberdade e dignidade que merecem.

O caminho é longo. Em uma sociedade patriarcal e machista como a brasileira, onde as pessoas usam organizações (partidos políticos, empresas, igrejas, faculdades, torcidas organizadas) como álibis para disseminar o ódio, observa-se o quão herculínea a tarefa da comunidade LGBT em vencer o preconceito e a homofobia, culturalmente arraigada. Uma legislação que puna com rigor a homofobia incitada ou praticada não é suficiente, mas é um importante passo, além de atuar na educação e na garantia de direitos, de modo que todos tenham o reconhecimento pelo estado de poder ter o direito de viver livres.

{AG rootFolder="/images/sampledata/" thumbWidth="200" thumbHeight="120" thumbAutoSize="none" arrange="priority" backgroundColor="ffffff" foregroundColor="808080" highliteColor="fea804" frame_width="500" frame_height="300" newImageTag="1" newImageTag_days="7" paginUse="1" paginImagesPerGallery="10" albumUse="1" showSignature="1" plainTextCaptions="1" ignoreError="1" ignoreAllError="0" template="classic" popupEngine="slimbox"}revoltadalampada{/AG}

Sabemos o mal da impunidade no país, mas contra a população LGBT esta impunidade é mais impactante. Sábado mais uma vítima fatal: Marcos Souza, 19 anos, esfaqueado no parque do Ibirapuera. No domingo anterior ao ato, um casal gay foi agredido com chutes por 15 homens em pleno vagão do metrô. Não esquecemos também de João Donati, em Goiás, foi outra vítima fatal, assassinada em setembro, cuja investigação tentou à todo custo, descaracterizar seu homicídio como ato homofóbico, tratando-o como crime passional. Fora o holocausto LGBT que ocorre no Brasil de forma velada, onde Gays, Lésbicas, Travestis, Bissexuais e Pessoas Trans são hostilizadas, agredidas, estupradas e mortas todos os dias, onde sequer a imprensa faz repercutir, ou reporta com ar de banalidade.

Também foi defendido no ato outras causas, como o respeito à mulher, o combate ao abuso sexual, a legalização da maconha e do aborto. Um espaço aberto para todas as liberdades, contra todas as formas de opressão.

Segundo a PM, haviam cerca de 150 pessoas na manifestação. Mas a minha percepção é a mesma dos organizadores, haviam mais de 500 pessoas alí.

De certo, considero atos deste tipo bastante democráticos. Uma democracia de fato se constrói com a participação de todos os grupos, inclusive os tidos como "minorias". Mas respeitando todos os espaços e pessoas. Não foi registrado nenhum incidente. As pessoas olhavam e sinalizavam simpatia à causa, ora observando com aprovação, buzinando com seus carros, e aplaudindo a marcha que alegre que coloria a cidade, em oposição à opressão cinzenta que rotineiramente tentavam os sufocar.

Diretamente do ato me inspirei a opinar sobre o ocorrido. O registro do áudio se segue.


Podcast de Ativismo

Ouça os episódios de ativismo