Centenas de manifestantes em São Paulo para dizer não ao preconceito.

Estive presente em um ato, no último domingo que foi a revolta da lâmpada. Há cerca de quatro anos atrás, jovens foram agredidos com lâmpadas por motivação homofóbica. O local do ataque, a Av. Paulista, 777, tornou-se o marco-zero das manifestações que se seguiram, organizados por uma comunidade LGBT paulistana atuante e engajada. Muita coisa, aconteceu de lá para cá, e ainda muitas das reivindicações da comunidade não foram atendidas. Porém o ato que se viu na Av. Paulista, segundo pela Rua Augusta e encerrando no centro da cidade mostra que este caminho, o da manifestação pacífica, com identidade e forte no discurso alinhado à causa, é o correto para levar a todos e todas LGBT's o respeito, liberdade e dignidade que merecem.

O caminho é longo. Em uma sociedade patriarcal e machista como a brasileira, onde as pessoas usam organizações (partidos políticos, empresas, igrejas, faculdades, torcidas organizadas) como álibis para disseminar o ódio, observa-se o quão herculínea a tarefa da comunidade LGBT em vencer o preconceito e a homofobia, culturalmente arraigada. Uma legislação que puna com rigor a homofobia incitada ou praticada não é suficiente, mas é um importante passo, além de atuar na educação e na garantia de direitos, de modo que todos tenham o reconhecimento pelo estado de poder ter o direito de viver livres.

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Sabemos o mal da impunidade no país, mas contra a população LGBT esta impunidade é mais impactante. Sábado mais uma vítima fatal: Marcos Souza, 19 anos, esfaqueado no parque do Ibirapuera. No domingo anterior ao ato, um casal gay foi agredido com chutes por 15 homens em pleno vagão do metrô. Não esquecemos também de João Donati, em Goiás, foi outra vítima fatal, assassinada em setembro, cuja investigação tentou à todo custo, descaracterizar seu homicídio como ato homofóbico, tratando-o como crime passional. Fora o holocausto LGBT que ocorre no Brasil de forma velada, onde Gays, Lésbicas, Travestis, Bissexuais e Pessoas Trans são hostilizadas, agredidas, estupradas e mortas todos os dias, onde sequer a imprensa faz repercutir, ou reporta com ar de banalidade.

Também foi defendido no ato outras causas, como o respeito à mulher, o combate ao abuso sexual, a legalização da maconha e do aborto. Um espaço aberto para todas as liberdades, contra todas as formas de opressão.

Segundo a PM, haviam cerca de 150 pessoas na manifestação. Mas a minha percepção é a mesma dos organizadores, haviam mais de 500 pessoas alí.

De certo, considero atos deste tipo bastante democráticos. Uma democracia de fato se constrói com a participação de todos os grupos, inclusive os tidos como "minorias". Mas respeitando todos os espaços e pessoas. Não foi registrado nenhum incidente. As pessoas olhavam e sinalizavam simpatia à causa, ora observando com aprovação, buzinando com seus carros, e aplaudindo a marcha que alegre que coloria a cidade, em oposição à opressão cinzenta que rotineiramente tentavam os sufocar.

Diretamente do ato me inspirei a opinar sobre o ocorrido. O registro do áudio se segue.


 

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